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O que são amígdalas e qual a sua importância para a saúde

O que são amígdalas, qual sua função e quando a cirurgia é indicada? Entenda os sinais e saiba como buscar avaliação especializada.

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Guilherme Fenolio
Guilherme Fenolio

Dr Guilherme Fenólio

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12 min

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Ilustração de amígdalas palatinas na garganta humana

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Entender o que são amígdalas ajuda a interpretar dores de garganta, infecções recorrentes, ronco e dificuldades para respirar durante o sono.

Resposta rápida

Amígdalas são duas estruturas de tecido linfoide localizadas nas laterais do fundo da garganta. Elas participam da defesa do organismo ao reconhecer microrganismos que entram pela boca e ajudar na produção de células de defesa. Durante a infância, essa função é especialmente relevante, porque o sistema imunológico ainda entra em contato com muitos agentes novos. Quando as amígdalas aumentam, inflamam repetidamente ou atrapalham a respiração, o sono, a alimentação ou a deglutição, o otorrinolaringologista pode avaliar tratamento clínico ou cirurgia. A retirada não é automática: depende da frequência dos episódios, dos sintomas, do exame físico e da repercussão na rotina.

Resumo

  • Amígdalas são tecidos de defesa situados nas laterais da garganta.
  • Elas ajudam a reconhecer microrganismos e participam da resposta imunológica, principalmente na infância.
  • Infecções recorrentes, obstrução respiratória, ronco intenso e apneia podem justificar avaliação cirúrgica.
  • A amigdalectomia é feita pela boca, sob anestesia geral, e exige orientação cuidadosa para a recuperação.
  • O diagnóstico individual deve ser realizado por um otorrinolaringologista, especialmente quando há dificuldade para respirar ou engolir.
Ilustração médica mostrando a localização das amígdalas na parte de trás da garganta

O que são amígdalas?

Amígdalas são duas áreas de tecido linfoide localizadas nas laterais da garganta, na região conhecida como orofaringe. Também chamadas de tonsilas palatinas, elas fazem parte do sistema de defesa e ficam em uma posição estratégica para entrar em contato com partículas e microrganismos que chegam pela boca.

Ao abrir a boca, é possível observar as amígdalas ao fundo, uma de cada lado. O MSD Manuals descreve essas estruturas como zonas de tecido linfoide bilaterais, enquanto a Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde explica que elas estão no fundo da garganta e participam da proteção do organismo. Essa localização ajuda a entender por que podem ficar doloridas, avermelhadas ou aumentadas durante uma infecção.

Na linguagem cotidiana, é comum ouvir “amídala” e “amigdalite”. A estrutura anatômica é a amígdala, ou tonsila palatina. Já a amigdalite é a inflamação ou infecção que atinge essa região. Adenoides não são a mesma coisa: são a tonsila faríngea, localizada mais acima, atrás do nariz, onde não pode ser vista simplesmente ao abrir a boca. Em algumas crianças, amígdalas e adenoides aumentam ao mesmo tempo e contribuem para obstrução da passagem de ar.

O aumento pode ser passageiro, acompanhando um quadro inflamatório que melhora em poucos dias, ou persistente, permanecendo por meses ou anos. A O1 Saúde destaca que o aumento das tonsilas palatinas costuma ser percebido no exame direto da garganta. Quando a suspeita envolve a tonsila faríngea, a investigação pode incluir radiografia ou nasofibroscopia, exame realizado no consultório.

Durante uma inflamação, as amígdalas podem apresentar vermelhidão e secreção amarelada. Febre, gânglios aumentados no pescoço, coriza, tosse e mal-estar também podem aparecer. Esses sinais não permitem concluir sozinhos qual é a causa, por isso a escolha do tratamento depende da avaliação médica. Antibióticos, por exemplo, não devem ser usados por conta própria, porque nem toda dor de garganta tem origem bacteriana.

A compreensão da anatomia é o primeiro passo para separar uma irritação ocasional de um problema que merece investigação mais cuidadosa. Queixas de garganta podem se relacionar com respiração, sono, nariz e até impacto na audição quando há alterações associadas na região, e o exame otorrinolaringológico organiza essa avaliação.

Diagrama simplificado do sistema imunológico humano com destaque para as amígdalas

Qual a função das amígdalas?

A função das amígdalas é participar da primeira linha de defesa contra microrganismos que entram pela boca e pelo ar. Elas reconhecem partículas estranhas e colaboram com a resposta imunológica, produzindo ou estimulando células que ajudam a combater infecções.

As amígdalas integram o sistema linfático, uma rede envolvida na vigilância imunológica. Segundo a Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde, elas funcionam como uma primeira barreira contra microrganismos que entram pela boca. Isso não significa que impeçam todas as infecções, mas que participam do reconhecimento inicial de agentes potencialmente nocivos.

O Brasil Escola explica que as tonsilas palatinas produzem linfócitos, células de defesa do organismo. Elas também entram em contato com elementos trazidos pelo ar e pela alimentação, ajudando o corpo a identificar o que pode exigir uma resposta. Esse papel é mais evidente durante a infância, quando há muitos contatos novos com vírus e bactérias e o sistema imune está construindo repertório de reconhecimento.

A página What is a tonsillectomy or adenotonsillectomy? descreve que as amígdalas reconhecem bactérias e vírus que entram pela boca e colaboram para a produção de células brancas do sangue. A mesma fonte explica que essa função tende a ser particularmente útil na infância. Com o amadurecimento do sistema imunológico, outras estruturas e mecanismos de defesa também assumem grande parte desse trabalho.

É importante não transformar essa função em uma promessa de proteção absoluta. Ter amígdalas não impede amigdalites, resfriados ou outras infecções respiratórias. Da mesma forma, retirar as amígdalas não significa que a pessoa ficará sem defesa: o organismo possui uma rede ampla de tecidos linfoides. A decisão de operar deve considerar o equilíbrio entre o benefício de remover uma fonte de infecções ou obstrução e os cuidados próprios de uma cirurgia.

Além da defesa, o tamanho das amígdalas influencia o espaço disponível na garganta. Quando crescem demais, podem dificultar a passagem de ar, favorecer respiração pela boca, alterar a qualidade do sono e tornar a deglutição desconfortável. Por isso, uma avaliação não deve se concentrar apenas na aparência das amígdalas. O mais importante é saber como elas estão afetando a saúde e a rotina da pessoa.

Procure atendimento se dores recorrentes vierem acompanhadas de febre importante, dificuldade para engolir líquidos, alteração intensa da voz, falta de ar ou piora rápida. Em crianças, ronco persistente e sono agitado também merecem atenção, principalmente quando há pausas perceptíveis na respiração.

Representação gráfica de células de defesa do corpo interagindo com patógenos

Quando as amígdalas precisam ser removidas?

A remoção das amígdalas pode ser indicada quando infecções repetidas, aumento persistente ou obstrução causam prejuízo relevante à saúde. A decisão é feita pelo otorrinolaringologista após analisar o histórico, o exame da garganta, o sono, a respiração e a resposta aos tratamentos anteriores.

Quais são os sinais de que a remoção é necessária?

A cirurgia não é indicada apenas porque as amígdalas parecem grandes. O ponto central é a consequência desse aumento ou das inflamações. Episódios frequentes de amigdalite, dor intensa de repetição, faltas à escola ou ao trabalho e necessidade recorrente de atendimento podem indicar que o quadro está deixando de ser ocasional. Também é importante verificar se cada episódio foi bem caracterizado, porque dor de garganta pode ter causas diferentes.

Um critério frequentemente usado para considerar a cirurgia é a ocorrência de 7 episódios de amigdalite ou infecção estreptocócica no último ano, ou de 5 episódios ou mais em cada um dos últimos 2 anos. Esses números não funcionam como uma autorização automática. Eles precisam estar associados a registros clínicos confiáveis e a uma avaliação médica que confirme o impacto e a natureza dos episódios. Esse critério é descrito pela página What is a tonsillectomy or adenotonsillectomy?.

Outro motivo relevante é a obstrução respiratória. Amígdalas aumentadas podem estar relacionadas a ronco frequente e alto, respiração pela boca, sono fragmentado, engasgos noturnos e períodos em que a pessoa deixa de respirar durante o sono, situação conhecida como apneia do sono. Em crianças, a má qualidade do descanso pode aparecer como irritabilidade, sonolência, dificuldade de concentração ou queda no rendimento, embora esses sinais também tenham outras possíveis causas.

O tamanho pode ser descrito pela proporção da via aérea ocupada. No sistema apresentado pela mesma referência clínica, o grau 0 corresponde a amígdalas dentro da fossa tonsilar; o grau 1 ocupa de 0% a 25% da via aérea da orofaringe; o grau 2, de 26% a 50%; o grau 3, de 51% a 75%; e o grau 4, 75% da via aérea. Amígdalas em grau 3 ou grau 4, quando acompanhadas de ronco, apneia ou outra complicação, tornam a indicação cirúrgica mais provável.

A remoção também pode ser discutida quando há sangramento das amígdalas, dificuldade para engolir alimentos mais consistentes, especialmente carnes, ou suspeita de câncer na região. São situações que exigem avaliação médica sem adiar. Assimetria importante entre as amígdalas, dor persistente de um lado, perda de peso sem explicação e alteração duradoura da voz também devem ser examinadas, ainda que não confirmem por si mesmas uma doença grave.

Antes de recomendar a cirurgia, o otorrinolaringologista pode observar a evolução, tratar a causa identificada e acompanhar a redução espontânea da hipertrofia. A O1 Saúde descreve justamente essas duas possibilidades, observação clínica ou decisão pela cirurgia. A escolha depende da combinação entre sintomas, frequência, intensidade, exame e prejuízo funcional.

Na consulta, leve informações sobre febre, uso de medicamentos, episódios de pus ou secreção, faltas escolares, ronco e pausas respiratórias. Gravações do sono podem ajudar a descrever o problema, mas não substituem o exame. Quando há suspeita de aumento das adenoides, podem ser necessários exames específicos, como a nasofibroscopia, porque essa estrutura fica atrás do nariz e não é vista diretamente pela boca.

Como é feita a cirurgia de retirada das amígdalas?

A retirada das amígdalas recebe o nome de amigdalectomia. Quando as adenoides também são removidas, o procedimento é chamado de adenotonsilectomia. Essa associação é considerada quando as duas estruturas estão aumentadas ou contribuem para os sintomas, especialmente em quadros de obstrução respiratória.

No dia do procedimento, a pessoa deve seguir o jejum orientado pela equipe, pois alimentos e água podem interferir na anestesia. O horário exato do jejum e as instruções sobre medicamentos devem ser confirmados com o serviço responsável, porque desobedecer a essa preparação pode levar ao adiamento da cirurgia.

A operação é realizada sob anestesia geral. O cirurgião acessa as amígdalas pela boca, sem incisão externa no pescoço, e faz a retirada com instrumentos apropriados, incluindo unidade de cauterização elétrica conforme a técnica descrita na referência clínica. A equipe acompanha respiração, circulação e recuperação anestésica durante todo o procedimento.

Depois da cirurgia, é comum haver sonolência, cansaço, náusea e dor na garganta. A dor pode aumentar entre o quinto e o nono dia, período em que as membranas da área operada estão cicatrizando. Por isso, é essencial administrar os medicamentos exatamente como prescritos, respeitando horários, doses e contraindicações. Não ofereça remédios por conta própria, sobretudo para crianças.

A hidratação merece atenção especial. O médico pode orientar uma alimentação mais leve e fria nos primeiros dias, evitando líquidos muito quentes e alimentos picantes. A dieta deve seguir as instruções individualizadas da equipe, que também pode indicar quais alimentos são mais confortáveis para cada paciente. Beber pouco por causa da dor aumenta o risco de desidratação e pode dificultar a recuperação.

O repouso também faz parte do tratamento. A fonte What is a tonsillectomy or adenotonsillectomy? recomenda cerca de 2 semanas de descanso para favorecer a cicatrização e reduzir o risco de infecção, especialmente em crianças que retornariam à escola. O retorno a exercícios, atividades intensas e viagens deve ser liberado pelo cirurgião.

Sangramento vivo pela boca ou pelo nariz, dificuldade para respirar, incapacidade de ingerir líquidos, sinais de desidratação, febre persistente ou vômitos que não cessam exigem contato imediato com a equipe ou atendimento de urgência. Um episódio isolado de vômito pode ocorrer após a anestesia, mas a persistência precisa ser comunicada.

A recuperação pode ser desconfortável e requer planejamento familiar ou de quem acompanha o paciente. Deixe os medicamentos organizados, mantenha líquidos acessíveis e observe a evolução da dor e da ingestão. Em crianças, um adulto deve acompanhar de perto os primeiros dias. Cada organismo reage de uma forma, e as orientações da equipe que realizou o procedimento têm prioridade.

A indicação de cirurgia deve ser construída a partir de uma avaliação otorrinolaringológica completa, não de uma fotografia isolada da garganta. O objetivo é entender se o problema principal é infecção recorrente, obstrução, alteração das adenoides ou outra condição que possa receber tratamento diferente. Para quem apresenta ronco, pausas respiratórias, infecções repetidas ou dificuldade para engolir, marcar uma consulta é o próximo passo mais seguro.

Perguntas frequentes

Amígdalas e adenoides são a mesma coisa?
Não. As amígdalas, ou tonsilas palatinas, ficam nas laterais do fundo da garganta. As adenoides, também chamadas de tonsila faríngea, ficam atrás do nariz. Ambas participam da defesa, mas podem exigir exames e tratamentos diferentes.
Toda amigdalite precisa de cirurgia?
Não. Muitos episódios melhoram com acompanhamento e tratamento adequado. A cirurgia é considerada quando há repetição relevante, obstrução respiratória, complicações ou prejuízo persistente para a saúde e a rotina.
Amígdalas grandes sempre causam ronco?
Não necessariamente. O ronco pode ter relação com amígdalas, adenoides, nariz ou outras condições. O exame otorrinolaringológico ajuda a identificar onde está a obstrução e se ela interfere no sono.
A retirada das amígdalas enfraquece a imunidade?
A retirada elimina uma estrutura que participa da defesa, mas o sistema imunológico é formado por vários tecidos e mecanismos. A indicação deve considerar o benefício esperado e a situação clínica de cada paciente.
Como saber se uma criança tem apneia do sono?
Observe ronco alto e frequente, pausas na respiração, respiração pela boca, sono agitado e cansaço ou irritabilidade durante o dia. Esses sinais precisam ser avaliados por um otorrinolaringologista.
A cirurgia de amígdalas deixa cicatriz no pescoço?
Em geral, o acesso é feito pela boca, portanto não há uma incisão externa no pescoço. A técnica, a anestesia e os cuidados devem ser explicados pela equipe antes do procedimento.
Quando procurar atendimento com urgência?
Procure atendimento diante de falta de ar, sangramento, incapacidade de engolir líquidos, sinais de desidratação, piora rápida ou vômitos persistentes. Não espere a consulta de rotina nesses casos.
Quem avalia a necessidade de retirar as amígdalas?
O otorrinolaringologista avalia o histórico, examina a garganta e considera sintomas de respiração, sono, deglutição e infecção. Quando necessário, pode solicitar investigação complementar.

Glossário

Amígdalas palatinas
Duas estruturas de tecido linfoide localizadas nas laterais do fundo da garganta.
Amigdalite
Inflamação ou infecção que atinge as amígdalas.
Adenoides
Tonsila faríngea localizada atrás do nariz, acima da garganta.
Amigdalectomia
Cirurgia para retirada das amígdalas.
Adenotonsilectomia
Cirurgia que remove amígdalas e adenoides no mesmo procedimento.
Apneia do sono
Pausas na respiração durante o sono, que podem estar relacionadas à obstrução das vias aéreas.
Nasofibroscopia
Exame que permite observar as estruturas do nariz e da garganta com um instrumento apropriado.
Guilherme Fenolio

Escrito por

Guilherme Fenolio

Dr Guilherme Fenólio

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