Pular para o conteúdo

Sinusite: causas, sintomas e opções de tratamento

O que é sinusite, quais sintomas provoca e como tratar? Entenda as causas, o diagnóstico e quando procurar um otorrinolaringologista.

Compartilhar
Guilherme Fenolio
Guilherme Fenolio

Dr Guilherme Fenólio

Publicado

Atualizado

Tempo leitura

13 min

Áudio

16 min

Ilustração de um rosto com seios nasais destacados em azul, mostrando a inflamação.

Ouvir o artigo

0:00
16:17

Entender o que e sinusite ajuda a diferenciar uma inflamação passageira de sinais que pedem avaliação médica. Conheça sintomas, causas, tipos, diagnóstico e caminhos de tratamento.

Resposta rápida

Sinusite é a inflamação da mucosa dos seios paranasais, cavidades próximas ao nariz, às maçãs do rosto e aos olhos. Ela pode causar congestão nasal, secreção, dor ou pressão na face, redução do olfato e mal-estar. O quadro pode surgir após uma infecção respiratória, estar ligado a alergias ou persistir por alterações que dificultam a drenagem dos seios da face. A avaliação com otorrinolaringologista define se há necessidade de lavagem nasal, medicamentos, investigação complementar ou cirurgia.

Resumo

  • Sinusite é uma inflamação dos seios paranasais, geralmente acompanhada de obstrução nasal e secreção.
  • A causa pode ser infecciosa, alérgica, anatômica ou, em situações específicas, fúngica.
  • O diagnóstico combina história clínica e exame físico, com tomografia ou endoscopia quando indicadas.
  • O tratamento depende da origem e da duração do quadro, sem uso automático de antibióticos ou descongestionantes.
Close-up de um rosto com expressão de dor e desconforto, focando na área dos seios nasais.

O que é sinusite

Sinusite é a inflamação da mucosa que reveste os seios paranasais, cavidades ósseas localizadas ao redor do nariz, das maçãs do rosto e dos olhos. Quando a passagem de ar e a drenagem ficam prejudicadas, podem aparecer congestão, secreção, pressão facial e alteração do olfato.

Os seios paranasais são espaços dentro dos ossos da face que se comunicam com a cavidade nasal. Em condições normais, suas secreções são drenadas continuamente. Quando a mucosa incha, essa comunicação fica estreita, o ar circula pior e pode haver acúmulo de líquido. Um ou mais seios paranasais inflamados podem provocar congestão nasal e coriza por esse mecanismo.

Por isso, sinusite não significa apenas nariz entupido. A inflamação pode gerar pressão na testa, nas bochechas ou ao redor dos olhos, além de reduzir o olfato e tornar a respiração desconfortável. O incômodo pode ser mais intenso ao abaixar a cabeça, especialmente quando existe secreção retida.

No consultório, é importante separar sinusite de resfriado, rinite e outras causas de obstrução nasal. Esses problemas podem compartilhar sintomas, mas não têm necessariamente a mesma origem ou o mesmo tratamento. Entender essa diferença é o primeiro passo para evitar automedicação e escolher uma conduta segura.

Pessoa espirrando com lenço, demonstrando sintoma de congestão nasal.

Quais são os principais sintomas da sinusite?

Os sintomas mais comuns incluem nariz entupido, secreção nasal, dor ou pressão no rosto, redução do olfato e tosse, sobretudo quando a secreção escorre para a garganta. Febre e cansaço também podem aparecer, principalmente em quadros infecciosos.

A congestão pode atingir um lado ou os dois lados do nariz e costuma vir acompanhada de dificuldade para respirar pelo nariz. A secreção pode ser clara, espessa ou amarelada, mas a cor, sozinha, não confirma uma infecção bacteriana. Esse é um motivo para não iniciar antibióticos por conta própria.

A dor facial varia conforme a região inflamada. Pode haver peso na testa, pressão nas maçãs do rosto, desconforto entre os olhos ou sensibilidade perto do nariz. Algumas pessoas também relatam dor de cabeça, mau hálito, tosse e sensação de secreção descendo pela garganta. Em crianças, irritabilidade, tosse persistente e respiração pela boca podem chamar mais atenção do que a dor no rosto.

A perda ou diminuição do olfato merece atenção, principalmente quando permanece depois que os sintomas respiratórios melhoram. Também é recomendável buscar avaliação se a obstrução for repetitiva, se os episódios atrapalharem o sono ou se houver sintomas nos ouvidos, como pressão e sensação de audição abafada. Esses sinais podem apontar para uma condição nasal que precisa de investigação própria.

Radiografia mostrando os seios nasais preenchidos com líquido, indicando sinusite.

Quais são os tipos de sinusite?

Os tipos de sinusite podem ser classificados pela duração do quadro e pela causa provável. Essa distinção orienta a investigação e evita tratar como uma infecção bacteriana situações provocadas por vírus, alergia ou alterações persistentes da drenagem.

Sinusite aguda

A sinusite aguda começa de forma relativamente rápida e costuma estar associada a infecções respiratórias, como gripes e resfriados. Essas infecções podem inflamar os seios da face. Em muitos casos, o quadro melhora com medidas de suporte e acompanhamento dos sintomas.

Quando a dor facial se intensifica, a secreção permanece por período prolongado ou o estado geral piora, o médico pode investigar complicações ou infecção bacteriana. A evolução dos sintomas importa mais do que uma característica isolada, como a aparência da secreção.

Sinusite crônica

A forma crônica envolve inflamação persistente ou recorrente, com obstrução nasal, secreção, pressão facial e alteração do olfato que não desaparecem completamente. Ela pode estar relacionada a alergias, pólipos, desvio do septo, alterações anatômicas ou dificuldade contínua de ventilação e drenagem.

O tratamento costuma exigir uma visão mais ampla. Além de aliviar o episódio atual, é necessário procurar o fator que mantém a mucosa inflamada. Exame nasal detalhado e exames de imagem podem ajudar a definir se existe indicação de tratamento clínico prolongado ou cirurgia.

Sinusite viral

A sinusite viral aparece com frequência durante um resfriado ou outra infecção respiratória. O vírus provoca inchaço da mucosa e aumenta a produção de secreção, deixando os canais de drenagem mais estreitos. Nessa situação, repouso, hidratação e higiene nasal podem ser mais importantes do que medicamentos específicos.

Antibióticos não tratam vírus. O acompanhamento deve observar a trajetória do quadro, a intensidade da dor e o surgimento de sinais que indiquem outra causa.

Sinusite bacteriana

A sinusite bacteriana pode surgir quando a inflamação e o acúmulo de secreção favorecem a multiplicação de bactérias. A suspeita depende do conjunto de sintomas, da duração e da evolução clínica, não apenas da presença de secreção amarelada ou esverdeada.

Quando o médico identifica indicação, pode prescrever antibiótico e outros recursos para controlar a inflamação. A escolha, a dose e o tempo de uso precisam ser individualizados, pois tomar remédio inadequado pode atrasar o diagnóstico e provocar efeitos adversos.

Sinusite alérgica

A alergia pode manter a mucosa nasal inchada e dificultar a ventilação dos seios paranasais. Espirros, coceira, coriza clara e obstrução nasal são pistas frequentes, embora a presença de alergia não exclua outros tipos de sinusite.

Cerca de 60 milhões de brasileiros convivem com algum tipo de alergia respiratória, segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia. Esse contexto ajuda a entender por que o controle da rinite e dos fatores ambientais pode ser decisivo para reduzir crises.

Sinusite fúngica

A sinusite fúngica é menos comum e não deve ser confundida com a sinusite viral ou bacteriana habitual. Ela pode aparecer em diferentes contextos, desde a presença localizada de fungos até formas mais invasivas em pessoas com imunidade comprometida.

A investigação considera o estado de saúde, a evolução dos sintomas, o exame nasal e as imagens. O tratamento pode exigir abordagem especializada, porque medicamentos usados em quadros comuns não resolvem necessariamente uma doença fúngica.

Close-up de um nariz com secreção escorrendo, simbolizando sintomas de sinusite.

Quais são as causas da sinusite?

A causa mais frequente da sinusite aguda é uma infecção respiratória que inflama a mucosa e reduz a drenagem dos seios paranasais. Vírus podem iniciar esse processo, e algumas situações evoluem para infecção bacteriana. Alergias também contribuem ao manter o nariz congestionado e a mucosa irritada.

Alterações anatômicas, como desvio do septo, aumento de estruturas internas do nariz e pólipos, podem estreitar as vias de drenagem. Nesses casos, a pessoa pode apresentar episódios repetidos, respiração nasal ruim e dificuldade para controlar a doença apenas durante as crises. A avaliação precisa verificar se há um obstáculo físico ou uma inflamação persistente.

O ambiente também influencia. O frio, a redução da umidade do ar e a maior concentração de poluentes favorecem a irritação das vias aéreas. Em cidades e períodos de ar mais seco, hidratação, ventilação adequada e controle de poeira podem ajudar, mas não substituem o diagnóstico quando os sintomas continuam.

Outros fatores, como exposição a fumaça, contato com substâncias irritantes e doenças que alteram a imunidade, podem aumentar a vulnerabilidade. Identificar o gatilho é útil porque o tratamento não deve se limitar a aliviar a dor: é preciso reduzir o que mantém a mucosa inflamada.

Médico examinando um paciente com otoscópio, possivelmente verificando a sinusite.

Como é feito o diagnóstico da sinusite?

O diagnóstico começa pela conversa sobre sintomas, duração, recorrência, alergias, infecções recentes e resposta a tratamentos anteriores. O otorrinolaringologista examina o nariz e, quando necessário, solicita endoscopia nasossinusal ou tomografia para avaliar a mucosa, a drenagem e a anatomia.

Não existe um único sintoma capaz de confirmar sinusite. O médico observa a combinação entre obstrução, secreção, dor ou pressão facial, alteração do olfato e evolução do quadro. Também pergunta sobre febre, tosse, qualidade do sono, crises anteriores e uso de medicamentos.

O diagnóstico é feito com investigação do histórico do paciente e, em seguida, com exames complementares quando indicados. A endoscopia nasossinusal permite observar o interior do nariz com mais detalhe. A tomografia mostra os seios da face e pode revelar espessamento da mucosa, secreção retida ou alterações estruturais.

Exames de imagem não são necessários em todo episódio leve. Eles ganham importância quando há sintomas persistentes, crises repetidas, suspeita de complicação, planejamento cirúrgico ou dúvida sobre outra doença. Essa escolha evita exames desnecessários e torna a decisão mais direcionada.

Na consulta, leve informações sobre quando os sintomas começaram, quais regiões do rosto doem, se há secreção, se o olfato mudou e quais medidas já foram tentadas. Relatar sintomas auditivos, como pressão nos ouvidos ou audição abafada, também é relevante, porque nariz, garganta e ouvido se relacionam funcionalmente.

Frasco de remédio e comprimidos sobre uma mesa, representando tratamento para sinusite.

Quais são as opções de tratamento para sinusite?

O tratamento depende da causa, da intensidade e da duração da sinusite. Pode envolver autocuidado, medicamentos prescritos e, nos casos persistentes com alteração anatômica ou falha do tratamento clínico, cirurgia para melhorar a ventilação e a drenagem dos seios paranasais.

Tratamentos caseiros e autocuidado

Hidratação adequada ajuda a manter as secreções menos espessas. A lavagem nasal com solução salina pode remover secreções e aliviar a obstrução, desde que seja feita com técnica segura e produto apropriado. Hidratação e lavagem nasal são medidas de alívio sintomático.

Evite introduzir água não adequada no nariz e não compartilhe frascos ou dispositivos. A limpeza do material também importa. Manter o ambiente livre de fumaça, poeira e cheiros irritantes pode reduzir a agressão à mucosa. Compressas mornas no rosto podem trazer conforto para algumas pessoas, mas não tratam a causa da inflamação.

Se a dor for intensa, a febre persistir ou os sintomas piorarem, o autocuidado deixa de ser suficiente. Procure avaliação, sobretudo diante de inchaço ao redor dos olhos, alteração visual, rigidez na nuca, confusão, dor de cabeça muito forte ou piora importante do estado geral.

Medicamentos para sinusite

O tratamento medicamentoso pode incluir analgésicos, anti-inflamatórios, corticosteroides nasais, descongestionantes ou antibióticos, conforme a avaliação médica. Cada grupo tem uma finalidade e também possui contraindicações. Descongestionantes usados de forma inadequada podem causar efeito rebote e piorar a obstrução.

Antibiótico é reservado para situações em que há indicação clínica de infecção bacteriana. Corticosteroides podem ajudar a reduzir a inflamação em determinados quadros, mas não devem ser iniciados ou interrompidos sem orientação. A automedicação é especialmente arriscada para pessoas com pressão alta, doenças cardíacas, glaucoma, gestação ou uso contínuo de outros remédios.

A resposta ao tratamento também fornece informação ao especialista. Se a pessoa melhora apenas por pouco tempo ou apresenta crises frequentes, é necessário investigar alergia, pólipos, desvio do septo e outras causas de obstrução. Para entender melhor o papel de cada opção, consulte nosso conteúdo sobre medicamentos para sinusite e converse com um otorrinolaringologista.

Tratamentos avançados e cirurgia

Quando a sinusite crônica continua apesar do tratamento clínico, ou quando existe obstrução anatômica relevante, o médico pode discutir uma cirurgia. O objetivo é ampliar a ventilação e facilitar a drenagem dos seios paranasais, sempre com indicação baseada nos sintomas, no exame e nas imagens.

A cirurgia endonasal é realizada pelo interior do nariz com auxílio de câmera, sem cortes externos, e geralmente requer anestesia geral. Essa técnica pode melhorar a ventilação dos seios paranasais e a qualidade de vida. O procedimento não é uma etapa automática: antes dele, o especialista avalia se o benefício esperado supera os riscos e se o tratamento clínico foi adequadamente conduzido.

A recuperação exige cuidados definidos para cada caso, como acompanhamento, higiene nasal e retorno gradual às atividades. O resultado depende da causa da doença e da manutenção do controle de alergias ou de outros fatores associados. Se você tem crises repetidas, respira mal pelo nariz ou convive com sintomas persistentes, o próximo passo é marcar uma consulta com o Dr Guilherme Fenólio, otorrinolaringologista em Ilhéus, Bahia, que atende crianças, adultos e idosos e realiza tratamentos clínicos e cirúrgicos para condições do nariz, do ouvido e da garganta.

Perguntas frequentes

Sinusite é contagiosa?
A sinusite em si não costuma ser transmitida. Porém, quando ela começa após um resfriado viral, o vírus responsável pela infecção respiratória pode passar para outras pessoas.
Toda secreção amarela significa sinusite bacteriana?
Não. A cor da secreção isoladamente não confirma a presença de bactérias. O médico considera duração, intensidade, dor, febre, evolução e outros sinais antes de indicar antibiótico.
Sinusite causa dor de ouvido ou audição abafada?
A congestão nasal pode alterar a ventilação da região que se comunica com o ouvido e provocar pressão ou sensação de ouvido tampado. Sintomas persistentes de audição devem ser avaliados.
Lavagem nasal ajuda na sinusite?
Pode ajudar a remover secreções e aliviar a obstrução. Deve ser realizada com solução apropriada, higiene do dispositivo e orientação adequada, principalmente em crianças.
Posso usar descongestionante por conta própria?
Não é recomendado iniciar ou prolongar esse medicamento sem orientação. Alguns descongestionantes podem causar efeito rebote e são inadequados para determinadas condições de saúde.
Sinusite crônica tem tratamento?
Sim. O tratamento pode envolver controle de alergias, medicamentos, higiene nasal e, quando existe obstrução persistente ou falha do tratamento clínico, cirurgia indicada pelo especialista.
Quando a sinusite precisa de cirurgia?
A cirurgia pode ser considerada quando há doença persistente, alteração anatômica relevante ou resposta insuficiente ao tratamento clínico. A decisão depende da avaliação médica, da endoscopia e, quando indicada, da tomografia.
Qual médico diagnostica sinusite?
O otorrinolaringologista avalia sintomas, nariz, seios paranasais e possíveis relações com ouvido e garganta. Ele também define a necessidade de exames e o tratamento mais adequado.

Glossário

Seios paranasais
Cavidades ósseas ao redor do nariz, das maçãs do rosto e dos olhos que se comunicam com a cavidade nasal.
Mucosa
Tecido que reveste o interior do nariz e dos seios paranasais e pode ficar inchado durante uma inflamação.
Endoscopia nasossinusal
Exame que permite observar o interior do nariz e as regiões de drenagem dos seios paranasais.
Tomografia
Exame de imagem que mostra a anatomia dos seios da face e possíveis áreas de inflamação ou obstrução.
Drenagem
Saída natural das secreções dos seios paranasais para a cavidade nasal.
Guilherme Fenolio

Escrito por

Guilherme Fenolio

Dr Guilherme Fenólio

Continue lendo