
Septos nasais: o que são e sua importância para a respiração
Entenda os septos nasais, reconheça sinais de desvio e conheça as opções de diagnóstico e tratamento para respirar melhor.

Ouvir o artigo
Septos nasais bem posicionados ajudam o ar a circular pelo nariz. Quando há desvio, a respiração pode ficar difícil e exigir avaliação especializada.
Resposta rápida
Os septos nasais são estruturas formadas por osso, cartilagem e mucosa que separam as duas cavidades do nariz. Quando essa parede se desvia, pode estreitar a passagem de ar e favorecer obstrução nasal, respiração pela boca, ronco, sangramentos ou sensação de nariz sempre entupido. O diagnóstico é feito pelo otorrinolaringologista, com avaliação dos sintomas e exame interno do nariz. Medidas como lavagem nasal e medicamentos podem aliviar quadros leves, mas a septoplastia é o tratamento que corrige estruturalmente o desvio quando a obstrução é persistente e interfere na qualidade de vida.
Resumo
- O septo nasal divide as duas fossas nasais e combina osso, cartilagem e mucosa.
- O desvio pode ser leve, moderado ou grave, conforme o impacto na passagem de ar e os sintomas.
- A consulta com otorrinolaringologista define se a obstrução vem do septo ou de outras estruturas do nariz.
- Lavagens e medicamentos aliviam sintomas, mas não endireitam a estrutura.
- A septoplastia pode corrigir o septo quando há obstrução persistente e indicação clínica.

O que são os septos nasais?
Os septos nasais são a parede que separa as duas fossas nasais. Eles se estendem desde a entrada do nariz até a região posterior e são formados principalmente por osso, cartilagem e mucosa.
O nariz não é uma única passagem. Internamente, existe uma divisória central que organiza o espaço e separa o lado direito do lado esquerdo. Essa divisória é chamada de septo nasal. A BVS/MS define o septo como uma parede composta por osso, cartilagem e mucosa, enquanto o Manual MSD descreve sua extensão desde os orifícios nasais até a parte posterior do nariz.
Em condições ideais, o septo ocupa uma posição suficientemente central para que o ar atravesse as duas fossas nasais com pouca resistência. Na prática, pequenas irregularidades são comuns e nem sempre causam doença. O problema aparece quando a curvatura estreita uma passagem, dificulta a ventilação ou se soma a outras alterações, como aumento dos cornetos e inflamação da mucosa.
É importante diferenciar o desvio interno da aparência externa do nariz. Uma pessoa pode ter o nariz aparentemente reto e ainda apresentar obstrução relacionada ao septo. Também pode existir alteração externa que afete a respiração mesmo quando a principal deformidade não está dentro do septo. Por isso, olhar apenas no espelho não permite concluir a causa do sintoma.
Em um estudo publicado no Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, a deformidade septal principal estava na área dois de Cottle em 56 casos, na área quatro em 24 casos, na área cinco em 19 casos e na área um em apenas um caso. O mesmo trabalho mostrou que, em 70 casos, a deformidade principal ficava na fossa nasal direita. Esses dados ajudam a entender que a localização do desvio pode variar e influencia a análise funcional do nariz.

Qual a função do septo nasal?
A função do septo nasal é separar e organizar as duas passagens do nariz, contribuindo para que o ar circule, seja filtrado, umidificado e aquecido antes de seguir para as vias respiratórias inferiores.
Ao dividir a cavidade nasal em duas passagens, o septo oferece suporte à anatomia interna e ajuda a direcionar o fluxo de ar. A entrada pelo nariz não serve apenas para respirar. Pelos, secreções e a própria mucosa participam da retenção de partículas, enquanto o contato do ar com as estruturas internas favorece sua preparação para chegar aos pulmões.
A separação entre os lados também permite o funcionamento do chamado ciclo nasal, uma alternância natural de maior e menor congestão entre as fossas. Em pessoas saudáveis, isso costuma passar despercebido. Quando existe um estreitamento importante, porém, a alternância pode ser percebida como entupimento, principalmente durante o sono, exercícios ou períodos de resfriado.
O septo ainda tem papel de sustentação. Sua relação com a ponta, o dorso e a válvula nasal influencia tanto a forma quanto a passagem de ar. Por isso, uma obstrução atribuída inicialmente ao septo pode exigir uma avaliação mais ampla da estrutura nasal.
Na prática clínica, o objetivo não é buscar uma simetria perfeita no exame, mas verificar se a anatomia está comprometendo a respiração. A decisão deve ser baseada na combinação entre queixa do paciente, exame físico e impacto funcional, em vez de ser tomada apenas pela aparência do nariz.

Quais são os tipos de desvio de septo nasal?
Desvio de septo nasal leve
No desvio leve, a curvatura existe, mas a passagem de ar permanece relativamente preservada. Muitas pessoas não sentem obstrução contínua e só percebem dificuldade em situações de inflamação, alergia, ar seco ou infecções respiratórias.
Quando há sintomas, eles tendem a ser intermitentes. A pessoa pode notar um lado mais fechado, respirar pela boca durante a noite ou apresentar piora temporária em determinadas épocas. Nessa situação, a avaliação deve considerar também a mucosa e os cornetos, porque nem todo entupimento vem da cartilagem ou do osso do septo.
A conduta costuma começar por medidas clínicas, principalmente quando o incômodo é controlável. O objetivo é reduzir a inflamação e melhorar a passagem, sem indicar uma cirurgia apenas porque o exame mostra alguma irregularidade.
Desvio de septo nasal moderado
No desvio moderado, o estreitamento tende a ser mais perceptível. Pode haver obstrução de um lado, alternância entre as fossas e dificuldade para manter a respiração nasal em atividades físicas ou durante o sono.
A intensidade dos sintomas não depende somente do formato do septo. A presença de rinite, aumento dos cornetos, congestão persistente ou alterações na válvula nasal pode ampliar o efeito de uma curvatura que, isoladamente, pareceria intermediária. Por isso, a classificação não deve ser feita em casa nem baseada em uma fotografia.
Em geral, tenta-se controlar os fatores associados antes de decidir por uma intervenção. Se a pessoa continua respirando mal apesar do tratamento clínico bem orientado, o otorrinolaringologista pode discutir a possibilidade de correção cirúrgica.
Desvio de septo nasal grave
No desvio grave, a deformidade estreita significativamente uma das passagens ou compromete a circulação de ar de forma persistente. O Manual MSD associa esse quadro à obstrução de um lado do nariz e à congestão nasal. Quando o desvio interfere na drenagem dos seios paranasais, também pode aumentar a propensão à sinusite.
A pessoa pode relatar dificuldade constante para respirar pelo nariz, sono de pior qualidade, boca seca ao acordar, ronco e limitação para atividades que exigem maior ventilação. Esses sinais não confirmam sozinhos a gravidade, mas justificam uma avaliação cuidadosa.
Quando a obstrução é estrutural e permanece apesar das medidas clínicas, a septoplastia pode ser considerada. A indicação depende do impacto respiratório, dos achados do exame e da ausência de uma causa mais importante para o sintoma.

Quais são os sintomas do desvio de septo nasal?
Os sintomas mais associados ao desvio de septo nasal são obstrução de uma ou das duas fossas, dificuldade para respirar pelo nariz, respiração oral, ronco, sono pouco reparador, ressecamento e sangramentos nasais recorrentes. A intensidade varia conforme a localização do desvio e as condições da mucosa.
A queixa mais comum é a sensação de que um lado do nariz está sempre ou quase sempre fechado. Algumas pessoas percebem alternância, enquanto outras sentem bloqueio predominante de um único lado. O desconforto pode ficar mais evidente ao deitar, durante exercícios ou quando a mucosa está inflamada.
Respirar pela boca é outra pista frequente. Isso pode causar garganta seca, lábios ressecados e despertar com a boca aberta. O ronco também pode aparecer, embora não seja um sinal exclusivo de desvio. Ele pode estar relacionado a diversas áreas da via aérea e precisa ser interpretado junto com o restante da avaliação.
O desvio pode favorecer turbulência do fluxo e ressecamento da mucosa, o que contribui para crostas e episódios de sangramento. Algumas pessoas também relatam redução do olfato, sensação de pressão facial ou infecções nasais repetidas. Esses sintomas podem ter outras causas, portanto não devem ser usados para autodiagnóstico.
A atenção deve ser maior quando a obstrução é persistente, unilateral, piora progressivamente ou atrapalha o sono e a rotina. Nesses casos, insistir apenas em soluções caseiras pode atrasar a identificação da causa correta. Uma consulta permite separar o desvio de problemas inflamatórios, alterações da válvula nasal e doenças dos seios da face.

Como é feito o diagnóstico do desvio de septo nasal?
O diagnóstico começa com a história dos sintomas e o exame da cavidade nasal feito pelo otorrinolaringologista. O médico pode utilizar um rinoscópio e, quando necessário, solicitar exames de imagem para esclarecer a anatomia e investigar outras causas.
Na consulta, o médico pergunta quando a obstrução começou, se é contínua ou alternada, qual lado incomoda mais e se existem ronco, sangramento, alterações do olfato, alergias ou infecções recorrentes. Também é relevante saber se houve trauma no nariz, cirurgia anterior ou uso frequente de medicamentos nasais.
O exame físico observa a entrada do nariz, o septo, os cornetos, a mucosa e a válvula nasal. Segundo a Tua Saúde, o otorrinolaringologista pode usar um rinoscópio para abrir as fossas nasais e visualizar as estruturas internas. Esse exame ajuda a identificar onde está o estreitamento e se a obstrução parece realmente proporcional ao desvio observado.
Nem sempre a imagem é necessária. Quando existe dúvida anatômica, suspeita de alteração dos seios paranasais ou planejamento cirúrgico, podem ser solicitadas radiografia, ressonância magnética ou tomografia computadorizada, também descritas pela Tua Saúde como possibilidades na investigação.
Um estudo publicado no Brazilian Journal of Otorhinolaryngology mostrou que oito dos cem casos avaliados não tinham deformidade septal. Neles, a obstrução vinha exclusivamente da projeção exagerada da pirâmide nasal externa, conhecida como nariz de tensão. O achado reforça a importância de examinar o nariz como um conjunto, sem atribuir todo sintoma ao septo.
O diagnóstico deve responder a duas perguntas: existe uma alteração estrutural e ela explica a dificuldade respiratória? A resposta orienta o tratamento e evita que a pessoa se submeta a uma cirurgia sem que a causa principal tenha sido bem definida.

Quais são os tratamentos para desvio de septo nasal?
O tratamento depende do quanto o desvio interfere na respiração e dos problemas associados. Medidas não cirúrgicas podem controlar inflamação e desconforto, enquanto a septoplastia corrige a alteração estrutural quando existe obstrução persistente com indicação clínica.
Tratamentos não cirúrgicos
O tratamento clínico é especialmente útil quando a obstrução é leve ou moderada, quando existe rinite associada ou quando a mucosa está inchada. A BVS/MS informa que lavar o nariz e usar medicamentos sob orientação médica pode melhorar os sintomas nos casos leves. Essas medidas ajudam a reduzir secreções, irritação e congestão, mas não mudam o formato do septo.
A lavagem nasal com solução salina pode auxiliar a limpeza e a hidratação da mucosa. Dependendo da causa associada, o médico pode indicar corticoide intranasal, anti-histamínico ou outra medicação apropriada. O MD.Saúde cita corticoides intranasais, anti-histamínicos e lavagens com soro fisiológico como opções pontuais para aliviar sintomas em desvios leves a moderados.
A orientação profissional é essencial para escolher o produto, a técnica e a frequência adequados. O uso por conta própria de descongestionantes vasoconstritores, especialmente de forma prolongada, pode provocar efeito rebote e piorar a obstrução. Da mesma forma, medicamentos para alergia ou inflamação devem ser usados de acordo com a avaliação do caso.
O tratamento clínico também pode funcionar como uma etapa de esclarecimento. Se o nariz melhora quando a inflamação é controlada, parte do problema pode estar na mucosa. Se a dificuldade permanece claramente mecânica, o otorrinolaringologista reavalia a necessidade de uma abordagem estrutural.
Tratamentos cirúrgicos
A cirurgia indicada para corrigir o desvio do septo é a septoplastia. O procedimento reposiciona o septo no centro do nariz, podendo envolver a remoção e a recolocação de partes de osso ou cartilagem em posição corrigida. O objetivo é ampliar a passagem de ar sem retirar suporte essencial do nariz.
A BVS/MS indica a cirurgia quando há dificuldade de passagem de ar acompanhada de sintomas. Portanto, o simples fato de existir uma curvatura no exame não torna a operação obrigatória.
O Manual MSD informa que um septo desviado com problemas respiratórios ou sintomas incômodos pode ser reparado por septoplastia, geralmente sob anestesia geral e como procedimento ambulatorial. A equipe explica a técnica, os cuidados antes da operação, a evolução esperada e os sinais que exigem contato médico.
Em algumas pessoas, o septo não é a única estrutura envolvida. Pode ser necessário avaliar cornetos, válvula nasal ou o formato externo do nariz. Quando há alteração funcional externa associada, a discussão pode incluir uma abordagem combinada, sempre com indicação individualizada. A rinosseptoplastia funcional é um tema relacionado e merece ser diferenciada de uma cirurgia feita apenas por finalidade estética.
O Dr Guilherme Fenólio realiza consultas e cirurgias especializadas em otorrinolaringologia, incluindo procedimentos para desvio de septo. Na avaliação, a recomendação deve considerar a queixa respiratória, o exame anatômico e o que é realisticamente necessário para recuperar uma passagem nasal mais funcional.
O próximo passo para quem convive com nariz entupido é agendar uma avaliação com otorrinolaringologista. Leve informações sobre a duração dos sintomas, medicamentos já usados, histórico de traumas e impacto no sono. Com esses dados, fica mais fácil decidir entre controlar a mucosa, investigar melhor ou discutir a correção cirúrgica.


