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Como identificar sinais de deficiência auditiva e quando procurar ajuda

Deficiência auditiva: entenda sinais, tipos, diagnóstico e tratamentos possíveis para buscar avaliação e cuidar melhor da sua audição.

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Guilherme Fenolio
Guilherme Fenolio

Dr Guilherme Fenólio

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Pessoa idosa sorrindo, usando aparelho auditivo e olhando para a câmera em um ambiente externo claro.

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A deficiência auditiva pode surgir de forma gradual ou aparecer desde o nascimento, alterando a comunicação, a aprendizagem e a participação social. Entenda os sinais, os tipos e os caminhos de avaliação.

Resposta rápida

Deficiência auditiva é a redução da capacidade de perceber sons, em intensidade variável, podendo atingir um ou ambos os ouvidos. Ela pode estar presente desde o nascimento ou surgir ao longo da vida por ruídos, envelhecimento, infecções, doenças, alterações no ouvido, medicamentos e outros fatores. O diagnóstico começa com avaliação otorrinolaringológica e exame audiológico, geralmente com audiometria. A conduta depende da causa, do grau e do tempo de evolução. Em alguns casos, há tratamento clínico ou cirúrgico; em outros, recursos de amplificação sonora, reabilitação ou implante coclear podem ampliar o acesso aos sons e à comunicação.

Resumo

  • A deficiência auditiva pode ser leve, moderada, severa ou profunda, unilateral ou bilateral.
  • Ruídos, envelhecimento, infecções, doenças, lesões e alterações congênitas estão entre as possíveis causas.
  • Audiometria e outros testes mostram o grau, o tipo e a configuração da perda auditiva.
  • Em crianças, identificar cedo favorece o desenvolvimento da linguagem, da aprendizagem e da socialização.
  • A avaliação especializada orienta o uso de tecnologias, reabilitação ou cirurgia quando indicada.
Gráfico de barras mostrando diferentes níveis de perda auditiva, de leve a profunda.

O que é deficiência auditiva?

Deficiência auditiva é a redução da habilidade de ouvir sons, desde uma dificuldade discreta até a incapacidade de perceber sons úteis para a compreensão da fala. Ela pode afetar um ou ambos os ouvidos e ter origem no ouvido externo, médio, interno ou nas vias nervosas auditivas.

A audição participa da comunicação, da orientação espacial, da aprendizagem e da percepção de alertas no ambiente. Quando essa capacidade diminui, a pessoa pode deixar de ouvir sons fracos, confundir palavras parecidas ou precisar de mais esforço para acompanhar uma conversa. A deficiência auditiva, também chamada de perda auditiva, não descreve uma única doença: é um termo amplo para alterações de causas, intensidades e evoluções distintas.

A classificação considera principalmente o menor volume de som que a pessoa consegue ouvir, medido em decibéis. Na perda leve, entre 26 e 40 dB, a fala baixa e ambientes ruidosos podem ser difíceis. Na perda moderada, entre 41 e 60 dB, uma conversa normal se torna mais complicada, sobretudo à distância. Na perda severa, entre 61 e 80 dB, a percepção pode ficar restrita a sons intensos. Acima de 80 dB, a perda é profunda e poucos sons podem ser úteis para compreender a fala.

As causas mais comuns são a exposição a ruídos e o envelhecimento. O som intenso no trabalho, em shows, clubes, discotecas ou por uso elevado de aparelhos de música pode lesar estruturas delicadas do ouvido. Também podem contribuir infecções, doenças, síndromes, medicamentos, danos no ouvido, lesões na cabeça, alterações congênitas, fatores genéticos, tumores, tabagismo, alcoolismo, solventes e alterações metabólicas.

A conduta não deve ser escolhida apenas pela intensidade percebida. É preciso entender onde está a alteração, se ela é recente ou antiga e quanto interfere na comunicação. Muitas causas podem ser tratadas ou controladas, enquanto outras exigem adaptação auditiva, reabilitação ou avaliação cirúrgica.

Close-up de um ouvido humano com um aparelho auditivo discreto posicionado.

Quais são os tipos de deficiência auditiva?

Os tipos de deficiência auditiva são definidos pela lateralidade, pelo momento de início e pelo local em que o som deixa de ser conduzido ou processado. Essa distinção é essencial para escolher a investigação e o tratamento adequados.

Deficiência auditiva unilateral

A deficiência auditiva unilateral afeta apenas um ouvido. Mesmo quando o outro ouvido escuta bem, podem surgir dificuldades para localizar de onde vem um som, acompanhar uma conversa em grupo e separar a voz do ruído de fundo. A pessoa pode parecer ouvir normalmente em situações silenciosas, mas apresentar grande esforço em restaurantes, salas de aula, reuniões ou ambientes movimentados.

A avaliação deve investigar se a alteração é condutiva, neurossensorial ou mista, além de verificar quando começou. Uma perda súbita, zumbido novo, tontura ou sintomas neurológicos exige atenção rápida. Em crianças, a perda de um lado também merece acompanhamento, porque pode interferir na atenção, na participação escolar e na aquisição da linguagem, especialmente quando não há adaptações no ambiente.

Deficiência auditiva bilateral

A deficiência auditiva bilateral compromete os dois ouvidos, de modo igual ou diferente. Algumas pessoas percebem redução semelhante nos dois lados; outras têm perda assimétrica, com um ouvido claramente melhor que o outro. Essa diferença interfere na compreensão da fala, sobretudo quando há distância, reverberação ou várias pessoas falando ao mesmo tempo.

O grau pode variar de leve a profundo. Por isso, não basta perguntar se a pessoa ouve: é necessário medir os limiares auditivos, analisar a compreensão da fala e observar a repercussão funcional. A estratégia pode envolver tratamento da causa, aparelhos auditivos, reabilitação, recursos de acessibilidade e, em situações selecionadas, cirurgia de ouvido ou implante coclear.

Surdez congênita e adquirida

A surdez congênita está presente ao nascimento, embora possa ser identificada apenas mais tarde. Estima-se que cerca de 1 a 3 recém-nascidos a cada 1.000 bebês apresentem perda auditiva permanente ao nascer. Aproximadamente metade dos casos congênitos tem origem genética, e em cerca de 70% dessas crianças a perda ocorre de forma isolada, sem uma síndrome associada.

A perda adquirida aparece depois do nascimento, em qualquer momento da vida. Entre as causas estão infecções, especialmente meningite, caxumba, sarampo e citomegalovírus, além de ruído, envelhecimento, medicamentos, lesões e doenças. Crianças que passam no teste da orelhinha ainda podem desenvolver perda pós-natal, portanto mudanças na fala, na resposta a sons ou no comportamento comunicativo precisam ser investigadas.

Nos primeiros meses de vida, o cérebro e a linguagem estão em período crítico de desenvolvimento. Quanto mais cedo a alteração é identificada e acompanhada, maiores são as chances de a criança desenvolver comunicação e aprendizagem próximas do esperado para sua idade. A participação familiar e a reabilitação auditiva fazem parte desse cuidado.

Perda auditiva condutiva e neurossensorial

A perda condutiva acontece quando o som encontra dificuldade para atravessar o ouvido externo ou médio. Entupimento, alterações no tímpano, inflamações e problemas de transmissão podem reduzir a intensidade do som que chega ao ouvido interno. Dependendo da causa, pode haver tratamento clínico ou cirúrgico, e a recuperação da condução sonora pode ser possível.

A perda neurossensorial se origina no ouvido interno, especialmente na cóclea, ou nas vias nervosas auditivas. Ruído, envelhecimento, fatores genéticos, algumas infecções, medicamentos e lesões podem estar envolvidos. Em geral, a avaliação busca preservar a comunicação e oferecer a melhor entrada sonora possível, com aparelhos, reabilitação ou outras tecnologias quando indicadas.

Também existe a perda mista, quando componentes condutivos e neurossensoriais aparecem juntos. O exame com otoscópio, a audiometria e testes complementares ajudam a separar essas possibilidades. A diferença importa porque uma obstrução simples não deve ser tratada como se fosse uma lesão da cóclea, e uma perda neurossensorial não deve ser atribuída automaticamente a cera ou ouvido tampado.

Médico examinando o ouvido de um paciente com um otoscópio.

Quais são os sinais de deficiência auditiva?

Os sinais mais comuns incluem pedir repetição, aumentar o volume de aparelhos, ter dificuldade para entender a fala em locais barulhentos e demonstrar mudanças na comunicação. Em crianças, atrasos de fala, respostas inconsistentes a sons e dificuldades escolares merecem avaliação.

Dificuldade em ouvir conversas

A pessoa pode ouvir que alguém falou, mas não compreender as palavras. Pedir que os outros repitam, responder fora do assunto, observar muito os lábios ou evitar conversas são pistas importantes. Também é comum compreender melhor quando há contato visual e silêncio, mas perder partes da mensagem quando o interlocutor fala de costas ou em baixa intensidade.

Nem toda dificuldade significa perda auditiva permanente. Cera, inflamação, congestão, alterações no ouvido médio e fadiga podem modificar a percepção. Ainda assim, a repetição frequente do problema deve ser investigada, principalmente quando afeta o trabalho, o estudo ou a convivência.

Aumento do volume da TV ou rádio

Aumentar progressivamente o volume da televisão, do rádio ou de aparelhos de música pode ser uma tentativa de compensar sons que chegam fracos ou pouco nítidos. Familiares costumam perceber esse sinal antes da própria pessoa, que pode ter se habituado à mudança gradual.

O volume isolado não mede o grau da perda. O ambiente, a posição dos alto-falantes e a preferência individual influenciam a percepção. A pista ganha importância quando aparece junto com pedidos de repetição, dificuldade ao telefone ou queixas de fala abafada.

Dificuldade em entender em ambientes ruidosos

Restaurantes, festas, salas de aula e reuniões revelam perdas que passam despercebidas no silêncio. O ruído compete com a fala, e a pessoa precisa usar mais atenção para completar frases. Por isso, pode sair de encontros cansada, irritada ou com a sensação de que todos falam baixo.

A dificuldade de entender palavras, e não apenas de ouvir sons, merece cuidado. Ela pode indicar alteração na transmissão sonora ou no processamento auditivo e não deve ser explicada apenas por distração. Uma avaliação permite diferenciar essas situações.

Sinais em crianças

Em bebês e crianças, observe ausência ou mudança nas respostas a vozes e sons, dificuldade para localizar a origem de um barulho, fala pouco clara, troca de sons, atraso na aquisição de palavras e baixo aproveitamento escolar. A criança pode parecer desatenta quando, na verdade, não está recebendo a informação completa.

A perda auditiva é uma das alterações sensoriais mais comuns da infância e pode surgir mesmo depois de uma triagem neonatal normal. O teste da orelhinha identifica alterações presentes naquele momento, mas não exclui perdas que aparecem depois. Diante de dúvida, a família deve procurar avaliação, sem esperar a criança simplesmente amadurecer.

A inclusão escolar, a comunicação acessível e a orientação aos cuidadores ajudam a reduzir barreiras. Quando a escuta funcional não é possível, a linguagem de sinais pode ser necessária para a comunicação, conforme as necessidades e escolhas da criança e da família.

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Pessoa conversando com um profissional de saúde em um consultório.

Como é feito o diagnóstico da deficiência auditiva?

O diagnóstico começa pela história clínica e pela inspeção do ouvido, seguida de exame audiológico. A audiometria mede a resposta a sons; outros testes podem esclarecer o local da alteração, sobretudo quando a pessoa não consegue colaborar plenamente.

Exame audiológico

O exame audiológico reúne informações sobre queixas, histórico de ruído, infecções, medicamentos, doenças, trauma e evolução dos sintomas. A avaliação física começa com a inspeção do ouvido usando um otoscópio, instrumento que permite observar o canal auditivo e o tímpano. Em algumas situações, o diapasão ajuda a diferenciar uma perda de condução de uma perda neurossensorial.

O profissional também considera zumbido, tontura, dor, sensação de ouvido tampado e impacto na comunicação. A combinação entre sintomas, exame físico e medidas auditivas evita conclusões apressadas e direciona a necessidade de tratamento clínico, acompanhamento, reabilitação ou investigação especializada.

Audiometria

Na audiometria, a pessoa usa fones de ouvido e os sons são direcionados para um ouvido de cada vez. Ela sinaliza quando escuta cada estímulo, permitindo registrar os menores volumes percebidos em diferentes frequências. O resultado mostra o grau da perda e ajuda a comparar os lados.

A avaliação também pode incluir a compreensão da fala, porque ouvir um som não significa necessariamente entender uma frase. Os resultados são interpretados junto com a queixa e a rotina do paciente. Uma pessoa com limiares parecidos pode ter impactos muito diferentes dependendo do trabalho, da idade, da presença de ruído e das exigências de comunicação.

Testes adicionais

Quando a audiometria convencional não é suficiente, podem ser necessários testes de imitância, emissões otoacústicas, potenciais evocados auditivos e exames de imagem, conforme a hipótese clínica. O BERA é especialmente útil quando a criança não consegue colaborar com as respostas exigidas pela audiometria. O exame dura entre 30 e 40 minutos, segundo a indicação e o protocolo utilizado.

Em recém-nascidos, o teste da orelhinha, também chamado de triagem auditiva neonatal, detecta problemas de audição. Um resultado alterado não encerra o diagnóstico: ele indica a necessidade de confirmação. Da mesma forma, um resultado normal não impede investigação futura se surgirem sinais de perda pós-natal.

Importância do diagnóstico precoce

Identificar a perda cedo permite procurar a causa, reduzir o tempo sem escutar adequadamente e organizar recursos de comunicação. Na infância, isso é especialmente importante porque a audição participa do desenvolvimento da fala, da linguagem, da aprendizagem e da socialização. A promoção da fala e da audição, com audiometria quando indicada, ajuda a acompanhar os marcos esperados.

O diagnóstico também protege adultos e idosos contra o isolamento progressivo. Quando a pessoa entende por que está tendo dificuldade, pode adaptar ambientes, orientar familiares e avaliar tecnologias ou procedimentos. O tratamento depende da causa, da gravidade e do tempo que a pessoa passou sem escutar direito, por isso adiar a investigação pode limitar escolhas futuras.

Pessoa com expressão pensativa, olhando para o lado em um ambiente interno.

Quando procurar ajuda para deficiência auditiva?

Procure ajuda quando houver perda súbita, piora progressiva, zumbido persistente, tontura, dor, secreção, sensação de ouvido tampado ou dificuldade recorrente para compreender a fala. Em crianças, qualquer preocupação com respostas a sons, fala ou aprendizagem justifica uma avaliação.

A perda súbita merece prioridade porque algumas causas dependem de reconhecimento e tratamento rápidos. Não é adequado esperar que um ouvido repentinamente abafado volte ao normal sem orientação, especialmente se houver zumbido, vertigem ou alteração neurológica. O mesmo vale para perda após trauma, exposição intensa a ruído ou uso de medicamento potencialmente lesivo ao ouvido.

Na perda gradual, o momento de procurar ajuda é quando a audição começa a limitar conversas, trabalho, estudo, segurança ou convivência. Familiares podem acompanhar a consulta quando a pessoa minimiza os sinais ou tem dificuldade para relatar a evolução. Levar informações sobre início, lateralidade, ruídos, infecções e medicamentos torna a avaliação mais objetiva.

Bebês e crianças precisam de atenção adicional. Não responder ao nome, não localizar sons, atrasar a fala ou apresentar queda de rendimento não deve ser atribuído automaticamente a desinteresse. O teste da orelhinha é importante, mas a observação contínua e a avaliação diante de novas dúvidas também são necessárias.

A consulta otorrinolaringológica especializada define quais exames fazem sentido e se o caso pede tratamento da causa, acompanhamento audiológico, aparelho auditivo, reabilitação, cirurgia de ouvido ou avaliação para implante coclear. O caminho mais seguro é investigar antes de comprar ou adaptar qualquer solução por conta própria.

Duas pessoas conversando animadamente em um café, uma delas gesticulando.

Qual a diferença entre deficiência auditiva e surdez?

Deficiência auditiva é o termo amplo para redução da capacidade de ouvir, enquanto surdez costuma descrever perdas mais intensas, embora o uso das palavras dependa do contexto clínico, social e legal. Uma pessoa surda ou com deficiência auditiva pode ter diferentes formas de comunicação e necessidades de acessibilidade.

Na prática clínica, a audição é descrita pelo grau, pelas frequências afetadas, pela lateralidade e pela capacidade de compreender a fala. Assim, alguém pode ter deficiência auditiva leve e ainda ouvir a maior parte dos sons cotidianos, enquanto outra pessoa pode ter perda profunda e não obter acesso funcional à fala apenas com o som amplificado.

No Brasil, a Lei nº 14.768 considera deficiência auditiva a limitação de longo prazo da audição, unilateral total ou bilateral parcial ou total. A mesma lei utiliza como referência a média aritmética de 41 dB ou mais, aferida nas frequências de 500 Hz, 1.000 Hz, 2.000 Hz e 3.000 Hz. Esse critério legal tem finalidade de reconhecimento de direitos e não substitui a avaliação médica individual.

Surdez também pode ser uma identidade cultural e linguística. Pessoas surdas podem utilizar Libras, leitura orofacial, fala, escrita ou uma combinação de recursos. O respeito à escolha de comunicação é parte do cuidado. O objetivo não é impor uma única forma de ouvir ou falar, mas garantir informação, participação e autonomia.

Por isso, não é adequado usar deficiência auditiva e surdez como rótulos rígidos para definir a experiência de alguém. O que importa é compreender a audição medida, a comunicação preferida, o impacto funcional e os recursos que tornam a vida diária mais acessível.

Como a deficiência auditiva pode impactar a vida?

Como a deficiência auditiva pode impactar a vida?

A deficiência auditiva pode afetar vínculos, autoestima, aprendizagem, trabalho e segurança, mas suporte adequado reduz barreiras. Comunicação acessível, acompanhamento profissional, tecnologias auditivas e participação da família formam uma rede de cuidado.

Impacto social e emocional

Quando compreender conversas exige esforço constante, a pessoa pode evitar encontros, reuniões e ligações. O isolamento nem sempre significa falta de interesse: muitas vezes é uma tentativa de escapar da frustração de não acompanhar o diálogo. A tensão também pode aumentar quando familiares interpretam a dificuldade como desatenção ou teimosia.

Reconhecer o impacto emocional é parte da consulta. Explicar a causa, medir a perda e discutir possibilidades devolve previsibilidade ao paciente. Mudanças simples, como melhorar iluminação, reduzir ruído e falar de frente, podem facilitar a participação enquanto o tratamento é organizado.

Desafios na comunicação

Ruído, distância, iluminação ruim, várias pessoas falando ao mesmo tempo e uso de máscaras podem dificultar a leitura dos sinais disponíveis. O interlocutor deve chamar a atenção da pessoa, falar com clareza, evitar gritar e confirmar se a mensagem foi compreendida. Repetir a mesma frase mais alto nem sempre resolve; reformular pode ser mais eficaz.

No trabalho e na escola, recursos de acessibilidade podem incluir posição estratégica na sala, instruções escritas, legendas, apoio visual e tempo para esclarecimentos. A inclusão de alunos com deficiência auditiva nas atividades escolares promove diversidade e reduz o risco de a criança ficar à margem do grupo.

Importância do suporte familiar

A família ajuda a observar mudanças, acompanhar consultas e transformar orientação em rotina. Em crianças, sua participação, o acompanhamento multiprofissional e a reabilitação auditiva regular são fatores decisivos para o desenvolvimento da comunicação. Em adultos e idosos, familiares podem apoiar sem assumir o controle, respeitando preferências e autonomia.

O melhor apoio é prático e respeitoso. Em vez de falar pela pessoa, a família pode garantir que ela tenha acesso à conversa, perguntar qual recurso funciona e reduzir ruídos desnecessários. Também deve evitar infantilizar o adulto ou tratar a perda como motivo de vergonha.

Recursos e tecnologias disponíveis

Aparelhos auditivos podem amplificar sons selecionados e melhorar o acesso à fala quando há indicação. O resultado depende do tipo de perda, da adaptação, do tempo de privação sonora e da reabilitação. Ajustes e acompanhamento são tão importantes quanto a escolha inicial, porque o cérebro precisa se acostumar a interpretar os sons que voltam a ser percebidos.

Quando a amplificação convencional não oferece benefício suficiente, o especialista pode discutir outras possibilidades, incluindo cirurgia de ouvido e implante coclear em situações apropriadas. A indicação exige avaliação individual, exames e conversa clara sobre objetivos, limites e reabilitação. Nenhuma tecnologia substitui uma investigação bem feita.

O Dr Guilherme Fenólio oferece atendimento com foco no conforto e na segurança do paciente. Em Ilhéus, Bahia, sua atuação em otorrinolaringologia inclui atendimento a crianças, adultos e idosos, consultas especializadas, cirurgias de ouvido e avaliação de implante coclear. O próximo passo é levar os sintomas e exames disponíveis para uma consulta, permitindo definir a estratégia mais coerente para a rotina e a comunicação de cada pessoa.

  • entender por que está pedindo repetição ou aumentando o volume da televisão → Agende avaliação otorrinolaringológica e exame audiológico para medir a audição e investigar a causa.
  • saber se a perda de uma criança interfere na fala e na aprendizagem → Procure avaliação precoce com investigação auditiva e orientação multiprofissional, sem esperar a dificuldade desaparecer.
  • avaliar uma perda súbita, com zumbido ou tontura → Busque atendimento médico rapidamente, pois a velocidade da investigação pode influenciar as opções de cuidado.
  • saber se aparelho auditivo ou implante coclear é apropriado → Realize avaliação completa do grau, tipo, causa e impacto funcional antes de escolher uma tecnologia.
  • ajudar alguém com dificuldade para entender em ambientes ruidosos → Fale de frente, reduza o ruído, melhore a iluminação e confirme qual recurso de comunicação a pessoa prefere.
  • Pessoa adulta com dificuldade gradual para acompanhar conversas: Faça consulta e audiometria para identificar o tipo de perda e discutir reabilitação ou tecnologia auditiva.
  • Criança com atraso de fala ou respostas inconsistentes a sons: Priorize investigação auditiva precoce e acompanhamento multiprofissional para proteger comunicação e aprendizagem.
  • Pessoa com perda súbita, zumbido ou tontura: Procure avaliação médica rápida, sem aguardar melhora espontânea.
  • Paciente com perda importante e pouco benefício com amplificação: Converse com otorrinolaringologista especializado sobre possibilidades cirúrgicas e avaliação para implante coclear.

Perguntas frequentes

Deficiência auditiva tem cura?
Depende da causa. Obstruções, inflamações e algumas alterações do ouvido podem ser tratadas ou controladas. Em muitos casos, a perda não é revertida, mas pode ser manejada com aparelhos auditivos, reabilitação, cirurgia ou implante coclear, conforme a avaliação.
Qual é a causa mais comum da deficiência auditiva?
Ruídos intensos e envelhecimento estão entre as causas mais comuns. Também existem causas genéticas, congênitas, infecciosas, medicamentosas, traumáticas, metabólicas e relacionadas a doenças do ouvido ou das vias auditivas.
Uma pessoa pode ter deficiência auditiva em apenas um ouvido?
Sim. A deficiência auditiva unilateral afeta um ouvido e pode dificultar a localização dos sons e a compreensão da fala em ambientes ruidosos, mesmo quando o outro ouvido escuta bem.
O teste da orelhinha detecta toda perda auditiva?
Não. Ele rastreia alterações presentes no período neonatal. Crianças com perda que surge depois podem passar no teste, por isso mudanças na resposta a sons, fala ou aprendizagem devem ser avaliadas.
Quando a perda auditiva é uma urgência?
A perda súbita, especialmente acompanhada de zumbido, tontura, dor, secreção ou sintomas neurológicos, exige avaliação rápida. Também procure ajuda diante de piora após trauma ou exposição intensa a ruído.
Audiometria dói?
A audiometria é um exame comportamental e geralmente não causa dor. A pessoa usa fones e sinaliza quando ouve os sons. Outros testes podem ser indicados quando ela não consegue responder de forma confiável.
Criança com perda auditiva pode aprender a falar?
Muitas crianças desenvolvem comunicação oral, visual, em Libras ou combinando recursos, conforme o grau da perda, a idade do diagnóstico, o acesso à reabilitação e as escolhas da família. O acompanhamento precoce favorece o desenvolvimento.
Aparelho auditivo é sempre necessário?
Não. A necessidade depende do tipo e do grau da perda, do impacto na comunicação e da causa. A decisão deve ocorrer após avaliação audiológica e orientação especializada.

Glossário

Audiometria
Exame que mede os menores sons percebidos em diferentes frequências e ajuda a classificar a perda auditiva.
Deficiência auditiva unilateral
Redução auditiva que afeta apenas um ouvido.
Deficiência auditiva bilateral
Redução auditiva que compromete os dois ouvidos, de forma semelhante ou assimétrica.
Perda condutiva
Alteração na passagem do som pelo ouvido externo ou médio.
Perda neurossensorial
Alteração originada na cóclea ou nas vias nervosas auditivas.
BERA
Teste que avalia respostas elétricas relacionadas à audição e pode ser usado quando a colaboração do paciente é limitada.
Triagem auditiva neonatal
Rastreamento da audição em recém-nascidos, conhecido como teste da orelhinha.
Implante coclear
Tecnologia implantável considerada em situações selecionadas de perda auditiva, após avaliação especializada.

Referências

  1. O que é deficiência auditiva?, Audição & Equilíbrio
  2. Tudo o que você precisa saber sobre Deficiência Auditiva
  3. Deficiência Auditiva e Surdez na Infância
  4. O Crescente Aumento da Deficiência Auditiva no Brasil
  5. L14768, Planalto
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Guilherme Fenolio

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